“O segredo é ser resiliente e destemido!” (I parte)

As segundas feiras são especiais e esta não é excepção, pois estou a editar mais uma entrevista daquelas que nos inspiram.

O escolhido foi Bruno Pereira (Joel para os amigos de infância e mais chegados). Tem 36 anos, é Designer e assume o seu fascínio por desportos motorizados. Adora sapatilhas, a vida e é completamente apaixonado por uma menina de 2 anos chamada Mariana.

o empreendedor bracarense

Bruno confessou-no que o seu percurso profissional não foi muito linear: “desde pequeno que sempre quis ser arquiteto, fiz o ensino secundário na Escola Artística e Profissional Árvore onde concluí o curso de Desenhador Projetista e logo de seguida ingressei no mercado de trabalho num pequeno gabinete de arquitetura e decoração de interiores no Porto, chamado Studio 3 (hoje em dia já não existe). Desenvolvi projetos de arquitetura, desenho técnico, decoração e também de design de mobiliário!”

Ao longo dos 3 anos que lá esteve, Bruno começou a perceber que não era bem aquilo que queria fazer para o resto da vida: “achava giro fazer a parte de comunicação e das montras de algumas lojas que desenhávamos e decidi que queria ser Designer (sabia lá eu o que era ser designer)…” Bruno tirou ainda o curso de formação de formadores e deu aulas de AutoCad, Photoshop e Freehand “(o extinto Freehand!)” .

“O primeiro curso que dei foram 200h, cerca de 4 meses seguidos a dar formação sem ter ainda experiência concreta em sala, o que se revelou ser bastante desafiante! Durante este período cumpri ainda serviço militar obrigatório (sim, eu ainda sou deste tempo) e depois voltei para o gabinete, porque as chefias gostavam do meu perfil.”

Em 2004 o gabinete fechou e o empreendedor decidiu começar a procurar ofertas de emprego para designer. Enviou um único CV para uma empresa de iluminação e entrou! Bruno ficou responsável pelo design do packaging de lâmpadas e pelos catálogos das várias marcas que a empresa representava: “não percebia nada de eletricidade e iluminação, mas rapidamente me envolvi no processo e aprendi sobre este mercado. Estive cerca de 1 ano nesta empresa e decidi que era altura de me lançar de forma independente…”.

Bruno assume que na altura não sabia o que era ser verdadeiramente um designer e/ou gerir um negócio e nos 3 anos que teve o gabinete desenvolveu projetos de design, webdesign, fotografia e vídeo. Por volta de 2008 foi convidado a ser Diretor Criativo dum grupo de empresas na área de comunicação, tecnologia e serviços, que operava no mercado português, angolano e moçambicano.

Já com outra estabilidade e com a necessidade de querer aprender mais, Bruno candidatou-se ao ensino superior e com quase 26 anos foi caloiro na ESEIG (atual ESMAD): “o curso era diurno e eu trabalhava de dia… as idas à Escola eram difíceis de gerir porque a entidade patronal não concordava muito com esta abordagem e mesmo com estatuto de ‘trabalhador estudante’ alguns professores eram altamente penalizadores”.

“Tive uma professora que me disse uma vez: ‘enquanto estiver nesta situação pode vir aqui treinar e quando puder vir às minhas aulas todas faz esta cadeira.’ Escusado será dizer que só concluí esta cadeira quando a professora saiu da instituição…”

 

o empreenddor bracarense 9


“A sorte também se constrói”. Do grupo SONAE à Farfetch

Corria o ano de 2010 e aconteceu a melhor coisa que podia ter acontecido à carreira de Bruno: foi despedido!

“Claro que não fiquei muito feliz com esta decisão mas a empresa sofreu uma remodelação e haviam outras pessoas a colocar no meu lugar.
No hard feelings :)”

Bruno dedicou-se ao ensino superior, fazendo quase a totalidade das unidades curriculares em pouco mais de 2 anos: “com o processo Bolonha a carga horária semanal era de 20 horas, mas eu chegava a ter 30 e 35 horas de aulas semanais, conciliando com a formação profissional que estava a ministrar em horário pós-laboral”.

Foi membro da associação de estudantes e o 1º Delegado do Curso de Design – momentos que afirma terem sido fantásticos e enriquecedores para a sua formação. Concluiu o curso em Julho de 2013 e em Setembro iniciou funções no grupo Sonae, como Designer de Comunicação para as lojas da insígnia MC (Continente, Modelo, Bom Dia, Wells, Bagga e Meu Super)…

Bruno confessou que o tema da sua entrevista final no grupo SONAE foi quase exclusivamente sobre lâmpadas e nesse tema Bruno revelou-se um expert (devido ao facto de, em 2004, ter trabalhado na empresa de iluminação): “na altura estavam a iniciar o processo para reformular a área de iluminação e energia nos hipermercados mas ninguém naquela equipa percebia muito do tema…”

“Não acredito em coincidências, mas a sorte também se constrói e por vezes demora muito tempo até aparecer a oportunidade certa…”

Em 2017 decidiu trocar o grupo SONAE pela Farfetch. “Amigos meus diziam que estava maluco porque “a Sonae é a Sonae! Pagam certinho! e muito pouca gente conhecia sequer a Farfetch e o que fazia… na verdade eu também não conhecia em detalhe o que faziam, mas queria fazer parte daquela empresa! Foi um salto feliz!”

Bruno sentia que não estava a progredir na carreira na posição de Designer e mesmo fazendo parte do Comité de Inovação da Sonae e mesmo tendo ganho prémios internos e sempre tentando fazer mais e melhor, assume que sentia que estava estagnado e apenas a fazer, nas suas palavras “pão com manteiga”.

Atualmente assume-se muito feliz com a mudança e com o espírito que se vive dentro da Farfetch: “é realmente uma empresa diferente de todas as outras por onde passei”.

o empreendedor bracarense 8


Influências
Perguntamos ao Bruno quem foram as suas influências e o designer destacou um professor: “ainda hoje me envia sms pelo Natal! Foi um professor no 3º ano do curso de Desenhador Projetista, chamado Rui Canela! Quando comecei a dar aulas imitava muitos dos exemplos dele e há algumas expressões dele ainda uso no meu dia a dia”.

“Com o Canela (como carinhosamente o chamamos) não havia hipótese de falha sem consequência… Havia penalizações, quem não entregasse o projeto à hora e dia marcado tinha de comer… (preparem-se…) uma colher de sopa de Banha de Porco! Sim! Banha de Porco!

No dia da entrega às 9h00 ele sentava-se na sua cadeira e colocava a embalagem e a colher em cima da mesa…. se até às 12h59 (as aulas eram de 4h00) toda a gente entregasse os trabalhos, comia ele a tal colher de banha de porco…. Nunca teve ele que comer porque havia sempre colegas que falhavam a data”.

Bruno assume recordar tudo isto ainda hoje com um sorriso e este princípio de dedicação e esforço que o acompanha e o qual segue religiosamente: “nunca falhei uma data de entrega ao longo dos meus (quase) 18 anos de carreira. Rui Canela, obrigado por tudo!”


O TEDx Porto
Bruno revelou-nos que a entrada no TEDx Porto foi muito curiosa. Candidatou-se à equipa organizadora em 2015 mas foi rejeitado: “não tinham vaga para o meu perfil… confesso que fiquei desiludido até! Como é que eu estava a voluntariar-me para uma coisa, sem receber um tostão e mesmo assim não me queriam? :)”

 

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